Prefeito de Matupá MT Bruno Mena apresentou proposta que impactou a todos os presentes na audiência publica da duplicação da BR 163 do trecho de Sinop a Guarantã do Norte
Audiência publica para tratar da duplicação da BR 163 em Mato Grosso MT e realizada com sucesso em Sinop
Durante audiência pública sobre a duplicação da BR-163, o prefeito de Matupá, Bruno Mena, apresentou uma proposta técnica robusta cobrando mudanças no projeto atual, com foco na preservação de vidas, na eficiência logística e no planejamento do crescimento urbano da região norte de Mato Grosso.
Logo no início de sua manifestação, o prefeito destacou que a discussão vai além de infraestrutura:
“Antes de falar de produção e exportação, precisamos falar de vidas.”
Segundo ele, o trecho da BR-163 que conecta municípios como Guarantã do Norte, Peixoto de Azevedo, Terra Nova do Norte, Nova Santa Helena e Itaúba apresenta uma característica única no estado: a proximidade entre cidades e a intensa circulação diária de pessoas.
Entre Matupá e Peixoto de Azevedo, por exemplo, a distância é inferior a 10 quilômetros, formando praticamente uma continuidade urbana. Esse cenário gera um fluxo constante de trabalhadores, estudantes, serviços e transporte intermunicipal, que se mistura ao tráfego pesado da rodovia federal, aumentando significativamente os riscos de acidentes.
Corredor logístico com milhares de carretas por dia
Além da mobilidade urbana, o prefeito destacou o peso logístico da região. Estudos recentes apontam que o trecho urbano da BR-163 em Matupá registra picos superiores a 600 veículos por hora, com grande presença de veículos pesados.
Segundo estudo de tráfego encomendado pela prefeitura municipal de Matupá,realizado em 2025, a estimativa é de que entre 2.000 e 2.400 carretas circulem diariamente pelo trecho, onde já circulam 2.000 carretas por dia, o que representa cerca de 60 mil veículos de carga por mês, consolidando a rodovia como um dos principais corredores logísticos do agronegócio brasileiro.
Esse volume é impulsionado por rotas estruturantes como a MT-322 e vias locais como a E-60 — estrada com aproximadamente 170 km de extensão — e a W-50, responsáveis por conectar áreas produtivas diretamente à BR-163.
Matupá entre os maiores exportadores de Mato Grosso
Outro ponto central da defesa foi a força econômica do município. Matupá está entre os cinco maiores exportadores de Mato Grosso, com mais de US$ 1 bilhão em exportações anuais, movimentando cerca de R$ 5 bilhões na economia.
A produção é baseada principalmente em soja, milho e carne bovina, com destino a mercados internacionais como China, Europa e países da Ásia. Mesmo com população reduzida, o município se destaca como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
“Estamos falando de uma cidade que exporta bilhões e sustenta parte da economia do país. A infraestrutura precisa acompanhar essa realidade”, afirmou o prefeito.
Proposta inclui novas interseções e reorganização dos acessos
Entre as principais reivindicações técnicas apresentadas estão a implantação de dispositivos de interseção em desnível nos pontos mais críticos da rodovia, com destaque para:
• entroncamento com a MT-322 (modelo trombeta)
• entrada principal de Matupá (modelo diamante)
• região do Posto Miriam (modelo diamante)
• acessos às vias estruturantes E-60 e W-50, com dispositivos de retorno em desnível
Segundo a proposta, essas intervenções são fundamentais para reduzir conflitos viários, eliminar travessias perigosas e garantir maior fluidez ao tráfego.
Prefeito propõe inverter lógica das obras
Um dos pontos mais fortes da audiência foi o questionamento sobre o cronograma da obra. O modelo atual prevê execução ao longo de mais de 10 anos, com chegada em Matupá apenas no nono ano.
Para Bruno Mena, isso não condiz com a realidade da região.
Como alternativa, ele defendeu a inversão do sentido prioritário das obras, com início pelo trecho norte da rodovia, entre Guarantã do Norte e Sinop, onde há maior concentração de municípios e maior fluxo diário.
Nesse corredor, as cidades estão separadas por distâncias curtas, variando entre menos de 10 km até cerca de 30 km, formando uma sequência contínua de centros urbanos. Já no trecho entre Itaúba e Sinop, as distâncias são maiores e a interação urbana é menor.
“Não é o trecho mais longo que precisa de prioridade, é o trecho onde tem mais gente e mais risco”, destacou.
Comparação com ritmo de obras do Estado
O prefeito também comparou o cronograma federal com iniciativas estaduais, que vêm executando duplicações em ritmo de até 100 km por ano por meio de concessões.
Para ele, isso demonstra que é possível adotar modelos mais rápidos e eficientes, evitando que a população espere quase uma década por soluções urgentes.
Planejamento urbano e crescimento acelerado
A proposta também leva em consideração o crescimento urbano de Matupá, que registra expansão de loteamentos, desenvolvimento de áreas industriais e aumento na demanda por serviços públicos.
Esse avanço amplia a interação entre a cidade e a rodovia, reforçando a necessidade de uma infraestrutura que acompanhe o desenvolvimento.
Visão de futuro
Ao final, Bruno Mena reforçou que a proposta não é apenas técnica, mas estratégica:
“Estamos propondo um projeto que salva vidas hoje e prepara Matupá para o futuro.”
Segundo ele, a duplicação da BR-163 precisa ser pensada não apenas como um corredor de passagem, mas como uma estrutura integrada ao território e à realidade das cidades que ela atravessa.
